Traduzido por: @casuisticapuritana
Elizabeth Melville, esposa de James Colvill, o filho mais velho de Alexander, Comendador de Culross, era filha de Sir James Melville de Halhill, em Fife. Seu pai foi embaixador da Rainha Maria para a Rainha Elizabeth e conselheiro privado do Rei James VI. Ele também era um homem de piedade, que, segundo Livingstone, “afirmava ter recebido a certeza do Senhor de que ele, sua esposa e todos os seus filhos se encontrariam no céu.” Lady Culross ocupava uma posição de destaque entre os cristãos eminentes de sua época. Livingstone comenta: “Ela era famosa por sua piedade e por um sonho sobre sua condição espiritual, que ela colocou em versos, e que foi publicado por outros. De todas as pessoas que já vi, ela era a mais incansável em seus exercícios religiosos; e quanto mais ela tinha acesso a Deus por meio deles, mais ela ansiava.” Ela estava presente na famosa “Comunhão em Shotts”, em junho de 1636, quando o sermão pregado por Livingstone, na segunda-feira seguinte, foi o meio, acredita-se, da conversão de pelo menos quinhentas pessoas. A noite anterior havia sido passada em oração por um grande número de cristãos em um grande salão da pousada onde ela dormia; e o ministro que deveria pregar na segunda-feira tendo adoecido, foi a sugestão dela que levou os outros ministros presentes, para os quais Livingstone era um estranho, a lhe atribuírem a tarefa de falar ao povo. Há um poema escrito por ela, intitulado “Ane Godlie Dream” (Um Sonho Piedoso), e ainda se preserva um soneto de sua autoria, que ela enviou ao Sr. John Welsh, quando ele estava preso em Blackness, em 1605:
“Meu querido irmão, com coragem carregue a cruz,
A alegria será unida a toda tua tristeza aqui.
Alta é tua esperança, despreza a falsa luz,
Um dia verás o dia desejado se abrir.
Agora está escuro, teu céu não pode estar claro;
Após as nuvens, logo virá a calma;
Espera na vontade d’Aquele cujo sangue te comprou caro;
Exalta Seu nome, mesmo que as alegrias externas fujam de tua alma.
Olha para o Senhor, tu não estás sozinho,
Já que Ele é teu, que prazer poderias ter!
Ele está à mão, e ouve cada gemido;
Termina tua luta, e sofre por Sua causa [em teu ser].
Uma visão mais brilhante tua alma em breve verá,
Quando uma abundância de glória tua rica recompensa será.”
— Wodrow MSS. Biblioteca Adv., Edimburgo, vol. xxix.
Desafios da Consciência — A Cruz Não é um Fardo.
SENHORA,
Sua carta chegou a mim em tempo oportuno, agora prisioneiro de Cristo e em cadeias pelo Evangelho. Fui sentenciado com privação e confinamento dentro da cidade de Aberdeen. Mas, oh, minha culpa, as tolices de minha juventude, as negligências em meu chamado, e especialmente por não ter falado mais pelo reino, coroa e cetro do meu real e majestoso Rei Jesus, me encaram de tal forma que temo ver ira naquilo que é uma coroa de regozijo para os queridos santos de Deus. Isso, antes da minha audiência, que ocorreu em três dias diferentes, me perturbou, e agora me sobrecarrega ainda mais; no entanto, Cristo, e em Cristo Deus reconciliado, me encontrou com braços abertos e se encontrou comigo precisamente à entrada da porta do salão do Chanceler, e me assistiu de modo que a vantagem não é deles, mas de Cristo.
Ai de mim! Não é de se admirar que eu esteja tão oprimido por esses desafios; pois o mundo me entendeu mal, e ninguém conhece tão bem a minha culpa quanto estes dois que agora me mantêm com os olhos abertos e o coração pesado: (1) meu coração e consciência, e (2) meu Senhor, que é maior que meu coração.
Mostre ao seu irmão que desejo que, enquanto ele estiver na torre de vigia, rogue por sua mãe e rogue por esta terra, e não deixe de clamar pela bela coroa do meu doce Senhor Jesus, que os “senhores interditados e proibidos” tentem arrancar de Sua cabeça real. Se eu estivesse livre desses desafios e de uma Alta Comissão dentro de minha alma, eu não daria um centavo para ir à casa de meu Pai através de dez mortes, pela verdade e causa do meu amado, amado Jesus. Mas agora caminho com tristeza. Se me amas, e Cristo em mim, minha querida Senhora, ore, ore apenas por isso, que os males passados entre meu Senhor e eu sejam deixados para trás, e que Ele desista da convocação de Sua Alta Comissão e não exija de mim nada além do que Ele fará por mim e operará em mim. Se sua senhoria me conhecesse tão bem quanto eu me conheço, dirias: “Pobre alma, não é de se admirar.” Não é minha apreensão que cria essa cruz para mim; ela é muito real e tem fundamentos tristes e certos. Mas eu não acredito que Deus tomará vantagem de mim quando estou contra a parede. Aquele que proíbe acrescentar aflição à aflição, fará isso Ele mesmo? Por que Ele deveria perseguir uma folha seca e restolho? Peça a Ele que me poupe agora.
Além disso, a memória dos belos dias de festa, que Cristo e eu tivemos em Sua casa de banquetes de vinho, e do rebanho disperso uma vez confiado a mim, e agora retirado de minhas mãos por Ele mesmo, porque não fui tão fiel no fim quanto fui nos dois primeiros anos de meu ministério, quando o sono fugiu dos meus olhos, pois minha alma estava tomada por um cuidado pelos cordeiros de Cristo — até isso acrescenta tristeza à minha tristeza. Agora meu Senhor me deu apenas isso para dizer, e eu o escrevo com minha própria mão (sejais testemunha do servo do Senhor): bem-vinda, bem-vinda, doce, doce cruz de Cristo; bem-vindo, belo, belo, amável, real Rei com Sua própria cruz. Nós três iremos juntos para o céu. Também não me importo muito de ir do sul da Escócia para o norte, e ser prisioneiro de Cristo entre rostos desconhecidos, em um lugar deste reino, com o qual não tenho tanto motivo para estar apaixonado. Sei que Cristo fará de Aberdeen meu jardim de delícias. Estou plenamente convencido de que a Escócia comerá o livro de Ezequiel, que está escrito por dentro e por fora, “lamentação, pranto e ai” (Ezequiel 2:10). Mas os santos beberão de um poço que atravessa as ruas da Nova Jerusalém, para acalmar isso. Assim, esperando que te lembres do pobre prisioneiro de Cristo, eu oro para que a graça, graça esteja contigo.
De vossa Senhoria, em seu doce Senhor Jesus, S. R. Edimburgo, 30 de julho de 1636.
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