CARTA 58 – À SENHORA KENMURE

Traduzido por: @casuisticapuritana

Por Ocasião de Esforços para Introduzir o Episcopado.

Ilustríssima Senhora,

Não consigo encontrar tempo para escrever algumas coisas que pretendia sobre Jó, pois estou tão ocupado com as contendas que nos sobrecarregam em nossa vocação. Nosso prelado exige que ou engulamos nossa luz e a digiramos contra nossa vontade (mesmo que precisemos vomitar nossa consciência e tudo mais, nessa conformidade perturbadora), ou tentarão ver se a privação pode nos converter à fé cerimonial.[1]

Escrevo para Vossa Senhoria, não por desconfiar de seu afeto ou disposição em me ajudar, já que Vossa Senhoria pode, por si mesma ou através de outros, mas para informá-la de que estou pendurado por um fio. Pois nosso egrégio prelado, porque não conseguimos enxergar com os olhos dele tão longe quanto sua luz, não segue seu Mestre, o manso Jesus, que espera pelos cansados e sobrecarregados no caminho para o céu. Onde nem todos enxergam da mesma forma e alguns são mais fracos, Ele carrega os cordeiros em seu peito e guia gentilmente aqueles que estão com cria. [2] Mas nós devemos ou ver todo o mal das cerimônias como sendo meros tratos indiferentes, ou então sofrer nada menos do que ser expulsos da herança do Senhor! Senhora, se eu tivesse mais tempo, escreveria com mais detalhes, mas Vossa Senhoria me perdoará até uma ocasião mais oportuna. Que a graça esteja com a Senhora e seu filho, e que os acompanhe até sua melhor morada.

De Vossa Senhoria, em seu doce Senhor Jesus, S. R. Anwoth, 8 de junho de 1636.


[1] Conformidade com as formalidades episcopais.

[2] Alusão a Gênesis 32:14 e Isaías 40:11.

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